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NeuroEducação FocoEnsina®

Diagnóstico precoce para o Transtorno do Espectro Autista 

Cada pessoa é diferente! Quando antes intervir sobre os sintomas, melhor!

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) caracterizado por dificuldades na comunicação, na interação social e também pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos. Cabe lembrar que a gravidade de apresentação do transtorno é variável e que a intervenção precoce possa alterar o prognóstico e suavizar os sintomas, embora se trate de uma condição permamente.

Os sinais do Transtorno aparecem já nos primeiros anos de vida, no entanto, sua trajetória não é nada uniforme. Algumas crianças apresentam sintomas logo após o nascimento, contudo, na maioria dos casos, eles apenas são consistentemente identificados entre os 12 e 24 meses de idade. Não obstante essa evidência, o diagnóstico do TEA ocorre, em média, aos quatro ou cinco anos de idade. Outro fato fundamental é que a intervenção precoce está associada a ganhos significativos no funcionamento cognitivo e adaptativo da criança. Para ilustrar, estudos recentes indicam que a intervenção precoce e intensiva tem, inclusive, o potencial de impedir a manifestação completa do TEA, por coincidir com um período do desenvolvimento em que o cérebro é altamente plástico e maleável.

Nesse sentido, portanto, a busca por sinais precoces do TEA continua sendo uma área de intensa investigação científica. Alguns marcadores potencialmente importantes no primeiro ano de vida incluem anormalidades no controle motor, atraso no desenvolvimento motor, sensibilidade diminuída a recompensas sociais, afeto negativo e dificuldade no controle da atenção.

Nos últimos anos, as estimativas da prevalência do autismo têm aumentado dramaticamente. Em grande parte, esse aumento pode ser explicaco como sendo resultado da ampliação dos critérios diagnósticos e do desenvolvimento de instrumentos de rastreamento e diagnóstico com propriedades psicométricas adequadas.

Para a avaliação precoce do TEA é indicado o uso do instrumento de triagem Modifield Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT), validado e traduzido para o português em 2008. O M-CHAT é um teste de triagem e não de diagnóstico e é exclusivo para sinais precoces de autismo e não para uma análise global do neurodesenvolvimento. A recomendação é sobre o Questionário Modificado para Triagem do autismo em Crianças entre 16 e 30 meses, revisado, com Entrevista de Seguimento (M-CHAT-R/F).

O M-CHAT-R tem como principal objetivo aumentar ao máximo a sensibilidade, ou seja, detectar o maior número de casos possíveis de suspeita de TEA. Mesmo assim, ainda existem casos de falso positivo, que terão o rastreio positivo para o TEA, mas não terão o diagnóstico final de autismo. Além disso, é necessário realizar alguns exames durante essa investigação, como a anamnese e o exame físico, por exemplo. Para que possa ser feito um diagnóstico diferencial é necessário que haja uma busca de informações, colhidas dos pais ou cuidadores, sobre a gestação e as condições do parto destas crianças, por meio de uma anamnese detalhada. É importante também que na avaliação física da criança sejam checados todos os sistemas, além da investigação minuciosa da presença de dismorfias, que remetam o pediatra à suspeita de síndromes genéticas associadas. Outras questões abordadas são as relacionadas à cognição, comportamento, socialização e rotinas; comunicação e linguagem; e sensoriais.

Existem outras cinco escalas e instrumentos preconizadas pela Associação Brasileira de Pediatria que podem ser utilizadas no diagnóstico do TEA, cada um com suas especificidades e usos: ADI-R (Autism Diagnostic Interview™ Revised); Childhood Autism Rating Scale (CARS); GARS Gilliam Autism Rating ScaleSecond Edition; ADOS-G (The ADOS™ - Generic); e Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT-R).

Destacamos ainda que o estabelecimento de um vínculo entre o paciente, a família e equipe multidisciplinar envolvida na avaliação é muito importante no momento da revelação diagnóstica, visto que a qualidade das informações pode repercutir positivamente na forma como o problema é enfrentado no lar, encorajando familiares a não guardarem questionamentos e a participarem na tomadas de decisão quanto ao tratamento.

A intervenção precoce, que deve ser iniciada tão logo haja suspeita ou imediatamente após o diagnóstico por uma equipe interdisciplinar, inclui modalidades terapêuticas que visam aumentar o potencial do desenvolvimento social e de comunicação da criança, proteger o funcionamento intelectual reduzindo danos, melhorar a qualidade de vida e dirigir competências para autonomia, além de diminuir as angústias da família e os gastos com terapias sem bases de evidência científicas.

Algumas das modalidades terapêuticas elencadas no documento são o “Modelo Denver de Intervenção Precoce para Crianças Autistas”; a “Estimulação Cognitivo Comportamental baseada em (ABA)”; “Coaching Parental”; “Comunicação suplementar e alternativa”; “Método TEACCH (Tratamento e Educação para Crianças Autistas e com outros prejuízos na comunicação)”; e “Terapia de integração sensorial”.

A integração de uma equipe multidisciplinar bem engajada e informada é de muita relevância no tratamento e condução adequada de crianças com TEA. Nela, estão incluídas as intervenções dietéticas em virtude das alterações nos hábitos alimentares; o tratamento medicamentoso, que ocorre para controle de sintomas associados ao quadro, quando estes interferem negativamente na qualidade de vida da criança; os tratamentos alternativos como a aromaterapia, a musicoterapia, etc.; o acompanhamento pedagógico especializado para um melhor aproveitamento do aprendizafo escolar.

O TEA não tem cura, por não ser uma doença. No entanto, as descobertas da neurociência e as terapias de intervenção precoce podem apresentar resultados significativos no desenvolvimento neuropsicomotor das crianças. Quanto mais precoce a detecção das alterações, maior a capacidade de organização neural através da neuroplasticidade e potencial de mielinização cerebral, uma vez que nos primeiros anos de vida que a formação sináptica apresenta maior velocidade e resultados satisfatórios.

Assim, a estimulação precoce aproveita o período sensitivo determinado pelas janelas de oportunidades no cérebro da criança, de forma precoce e intensiva.






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